LAGO DOS CISNES

 

 

INTRODUÇÃO

Em 1875 Tchaikovsky recebeu da direção do Ballet de Moscou a encomenda de uma partitura. Era para O Lago dos Cisnes, que acabou por aceitar "em parte porque eu precisava de dinheiro e em parte porque há muito queria me aventurar nesse tipo de música." Tchaikovsky já era então conhecido como um compositor genial. Esse fato inegável não conseguiria, porém, garantir o sucesso de sua partitura, quando ela finalmente chegou ao palco do Teatro Bolshoi de Moscou em 1877. A companhia não era das mais fortes; o coreógrafo era Wenzel Reisinger, um austríaco pouco talentoso; a bailarina principal a pouco conhecida Karpakova. Resultado: o primeiro O Lago dos Cisnes foi um retumbante fracasso. Duas produções subseqüentes realizadas em Moscou em 1880 e 1882 não tiveram melhor sorte.

Mas o Ballet de São Petersburgo não tardaria a resgatar a excelente partitura de Tchaikovsky. Após a encenação de dois de seus bailados - A Bela Adormecida e O Quebra-nozes, em 1890 e 1892, respectivamente - a música de O Lago dos Cisnes despertou grande interesse. Mas seria a morte do compositor, em outubro de 1893, que viria a precipitar sua primeira produção na cidade. Num concerto em homenagem à memória de Tchaikovsky realizado em fevereiro de 1894, o 2º ato do balé foi encenado, com coreografia de Lev Ivanov, então assistente de Marius Petipa. Antes de o bailado ser apresentado em sua integridade, foram realizadas profundas alterações no libreto e na partitura de 1877. Modest Tchaikovsky, irmão do compositor, revisou o enredo e Riccardo Drigo, regente do balé, editou o texto musical que seria a base da montagem completa do balé por Petipa e Ivanov, em janeiro de 1895.

Esta produção deu início à carreira de O Lago dos Cisnes como o mais popular e mais amado dos grandes clássicos produzidos ou preservados pela companhia de São Petersburgo. Inevitavelmente, com o passar dos anos, a encenação foi sendo revista. Na Rússia, tivemos as várias produções de Alexander Gorsky em Moscou e, em 1931, a de Agripina Vaganova em São Petersburgo, com profundo efeito na estrutura do bailado. Para o Ballet Kirov, porém, a edição mais significativa foi a de Konstantin Sergeyev, em 1950, que preparou o caminho para a encenação atual, que combina o texto, conforme estabelecido por Ivanov e Petipa, com as emendas trazidas por Sergeyev, além do acréscimo de algumas danças realizado por Vaganova, e da Dança Espanhola do 3º ato, segundo criação de Alexander Gorsky.

Adaptado de programa original do Ballet Kirov

 

 

SINOPSE

 

Primeiro Ato

Cena 1

Pátio do Palácio

Dia do vigésimo primeiro aniversário do Príncipe Siegfried. Nos jardins do palácio os amigos se reúnem para felicitá-lo. Clima de alegria geral; todos dançam. Destaque para o solo do Bobo da Corte. Chega a Rainha e presenteia o filho com uma besta. Lembra-o de suas responsabilidades, agora que atingiu a maioridade; entre elas a de escolher uma noiva. A Rainha se retira anunciando que na noite seguinte haverá um baile, oportunidade em que o Príncipe apresentará sua eleita. Cai a noite e Siegfried sai com os amigos para uma caçada.

 

Cena 2

Às margens de um lago iluminado pelo luar

Siegfried entra à frente dos caçadores, mas pede que o deixem sozinho. Subitamente aproxima-se um belo cisne. Ele ergue a besta e faz pontaria. Para sua surpresa, a ave se transforma numa bela jovem que se apresenta como a Princesa Odette. Conta-lhe que ela e suas amigas foram vítimas de um encantamento do feiticeiro Von Rothbart, que as transformou em cisnes. Somente à noite elas podem assumir a forma humana, ainda assim, sob severa vigilância do mago. Odette diz ao Príncipe que o feitiço só pode ser quebrado por um rapaz que nunca tenha sido comprometido e que lhe jure eterno amor. Apaixonado, Siegfried ergue os dedos e faz a jura.

Quando Rothbart entra, Odette implora que ele não faça mal ao Príncipe. Dança geral dos cisnes, com destaque para o famoso Pas de quatre dos cisnezinhos. Odette lembra a Siegfried do baile do dia seguinte, prevenindo-o de que Rothbart tentará de tudo para fazê-lo romper o juramento. O Príncipe a tranqüiliza. Odette e os cisnes se vão. Siegfried fica só e perdidamente apaixonado.

 

Segundo Ato

O baile

Todos aguardam o momento em que o Príncipe escolherá sua noiva. Entram os convidados e as princesas pretendentes, uma de cada país: Hungria, Rússia, Espanha, Itália e Polônia. Elas são anunciadas por danças características de seus países. O Príncipe dança com todas, mas vê-se que seu coração está bem distante. Surgem inesperadamente Rothbart - logicamente disfarçado - e Odile. Ele enfeitiça o Príncipe, que confunde a bela jovem com sua amada Odette. O casal sai de cena. Seguem-se várias danças, até que os dois voltam e dançam o famoso pas de deux do Cisne Negro. Siegfried declara seu amor pela jovem e Rothbart faz com que ele jure. Surge uma visão de Odette e o Príncipe percebe que foi iludido. Rothbart está vitorioso. Em desespero, Siegfried sai no encalço de Odette.

 

Terceiro Ato

Mesmo lago do 2º ato

É noite. As jovens cisnes sob encanto dançam tristemente. Abatida, Odette prepara-se para enfrentar a morte. Siegfried a encontra, explica o engano e pede-lhe perdão. As jovens ficam assustadas com a tempestade provocada por Von Rothbart. Siegfried protege Odette e comunica-lhe sua decisão de morrer com ela. A entrega pura do Príncipe quebra o sortilégio. Fim da tempestade. Siegfried e Rothbart lutam. Enfraquecido, o feiticeiro morre. Surge a aurora. As jovens, livres do encanto, não são mais cisnes. Vitória final do amor!